São Jeronymo
do autor do livro encontrado: O silêncio
sobre a cidade caia sólido e quente. Não se via sequer alma na praça central,
recém ladrilhada em pedras bicolores.
Ao longe um
gemido de vento apontava para o rio Jacuy. O
rio em movimento começou a apresentar o espetáculo da travessia da boiada. O gado sendo
tocado pela água conduzido por homens em pé dentro de pequenas canoas. Os
animais nadando pela sobrevivência. Bravamente homens e gado. Os homens aos
gritos de ânimo, driblando o medo e a correnteza.
Mais para os lados de Arroio dos Ratos, perto do poço da princesa, na Companhia de São Jeronymo, vi a saída de alguns homens na abertura do poço da princesa, o ar insalubre, a poeira enegrecendo tudo. Homens velhos, sujos, quase mortos em vida. Tossindo e buscando um ar e uma luz que não seja a chama do carbureto.
É terrível
que até o carbureto, o vagonete, tudo seja a alugado! São horas de trabalho para pagar apenas o equipamento de trabalho, não há como este país prosperar
a tão alto custo de vidas e mais vidas.
A luz, a
energia que move o país, incessantemente sendo tirada das trevas parece algo
poético, mas aqueles homens, a vida daqueles homens é o refugo da queima do
carvão! São restos de carvão de onde queimaram a luz, tirando precocemente a vida!
Gostaria de
ter o dom de um Zolá, para revelar, as misérias humanas que vi naqueles
lugares! Entrar numa mina, ainda que a poucos metros de profundidade, apesar do
meu olhar experiente de geólogo me fez recordar trechos inteiros daquele
romance.
de quem o encontrou: A cidade adormecida na manhã de domingo nada apresentava da glória e riqueza da época do carvão, procurei nos trilhos do trem, busquei alguma estação que me
conduzisse a uma linha temporal para a década de 1920.
Olho as construções antigas com um olhar em expectativa, as fotografo, tentando captar se naquela casa poderia o Prof. Tupi Caldas ter se hospedado enquanto fazia as anotações e estudos de mineralogia.
Aquela casa ali no final da rua, poderia ter sido da companhia mineradora belga, e, então, ele, em meio a uma taça de café teria solicitado autorização para proceder aos estudos dentro da minas.
Na igreja, vi os quadros da via sacra, pela grafia, facilmente identificáveis como sendo da
época do Império. Se considerar que estou em 2011, é muito tempo, mas em 1920, o Brasil tinha 39 anos de república, menos de 100 anos de independência. As marcas de Portugal estavam em todos os lugares!
Dos lugares e detalhes escolhidos para mostrar, os que mais me seduzem são aqueles em que se vê o chão. Uma perspectiva que pode ser para qualquer tempo. Pode-se, olhando para baixo, realmente ver/imaginar os sapatos de 1920..polainas brancas, quem sabe..Os caminhos são de pedra ou mesmo leitos de rio, mas, ao fixar o olhar, o que vejo é a dança dos átomos.
ResponderExcluirAs rochas, as pedras e os éteres de jotatupy continuam em intenso movimento.
Não perco esta marca de dança por nada!