quarta-feira, 2 de novembro de 2011

o velho fóssil de irai ou quando os desvios nos levam a lugares inesperados


         Quando os desvios de percurso nos levam mais longe que o caminho pré-traçado...




     Estava pelas ruas, fazendo pesquisa de campo, buscando localizar indícios passagem do prof. Tupi Caldas por Porto Alegre e pelo  Rio Grande do Sul.  Estive nas ruas e prédios citados no livro seguindo as pistas de geologia, paleontologia e mineralogia.
             Andei em por Porto Alegre, fui ao colégio Militar, na praça Garibaldi, Museu Julio de Castilhos, Instituto Histórico Geográfico RS, Parque da Redenção e Catedral Metropolitana. Minha curiosidade me levou a percorrer muitos espaços da Porto Alegre da década de 20 que ainda convivem com a de 2011.

              Em todos os lugares, mais movida pela intuição do que pela razão, cheguei certa que bastaria a menção do nome para que surgissem novos achados. Como o bater em uma porta e perguntar se alguém está, sabe? quando se parte da certeza que ali é o lugar, endereço certo.  Mas as respostas foram sendo adiadas e transferidas para novos pontos.

          Depois de usar o google como primeiro aliado fui ao Colégio militar em busca do acervo organizado pelo professor constituído de minerais e fósseis, bem como, pensando em ver pelos corredores painéis de fotos de professores e ex-alunos, tal como tinha no meu colégio.


          Na segunda-feira, fui ao colégio Militar onde ocorreu um evento estranho. Fui informada de que o Museu está em reforma, tudo que pode ser que referisse à presença do prof. estaria encaixotado. Fui orientada a ligar outro dia e ver o que podia ser feito. Por telefone, o cel, me disse que não não havia nada mais do acervo, que ele lembrava de ver, mas sabia também que em razão de uma reforma anterior, tudo havia sido perdido. 
        Em uma sexta-feira a tarde fui ao IHGRS - Instituto Histórico Geográfico RS, pensei que chegando lá esbarraria com uma foto dele, com uma homenagem na parede e com livros de atas manuscritos na sua letra. Enfim, não foi bem isto que aconteceu, ao falar com a bibliotecária Marcia, soube que no acervo daquela biblioteca apenas havia: 1 publicação denominada Nota Paleontológica - Fóssil de Iraí , o livro de Mineralogia e Geologia – mesma edição que eu havia achado na beira do rio e outra publicação: fóssil da alemoa
        
         Pedi ainda para ver as atas de instalação do instituto.
        
         Ponto. 






       Iniciei a pesquisa, digitando apressada sabia que tinha pouco tempo por ali, o instituto fecharia em algumas horas, eis, então eis que surge um senhor – um velho. Visivelmente precisando de atenção, quis que eu o ajudasse a ligar a máquina fotográfica e já puxou assunto, todo o assunto, qualquer assunto.

       Tentei voltar a pesquisa, mas de todo jeito, a cada momento, por um arrastar de cadeira ou uma fala, o velho me chamava e perguntava. Perguntou dos meus equipamentos, da pesquisa,  do Tupi Caldas? Olhou os livros, posso ver?, o que há?, e leu a palavra Iraí.

       Disse-me:  Conhece Iraí? 

       Pronto. 


      Rompeu-se a linha de separação, ele passou a ser foco de pesquisa, acrescentou que conhecia o Tupi, sim, ele era do instituto, disse isto com uma certeza só: a de que se eu acreditasse nele poderia continuar conversando comigo e se eu não acreditasse, eu perderia o interesse nele. 


     Contou da cidade de Iraí, o seu tempo de glória, as águas termais, pedras preciosas, as visitas do Getúlio Vargas, sua infância, projetos turísticos para a região, do bibliotecário analfabeto, da reação química ao tomar muita água.  Falou da infância bilíngue... da escola, do posto de saúde-modelo...do balneário, do cassino, dos projetos de lei, do governador do estado, das ruas calçadas, do esgoto tratado, de uma estátua?


     Voltei a perguntar do prof. Tupi , conhecia?
     
   Certamente sim, já que lia muito, mas agora... de lembrança... não conseguia recordar mais precisamente... 
    
    Anotei apressadamente o que ele disse e seu nome endereço, tinha que finalizar os registros por ali, tinha intenção de voltar em seguida, quem sabe no próximo dia? 


    Mas não retornei... nem tudo que anotei eu consegui ler... porque não digitei direto? por que não fotografei o velho de Iraí? 
   
     Um desvio me levou a novas dimensões do que eu procurava... 
    

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